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O que é a vida religiosa?
É o seguimento evangélico de Cristo. É seguir a Cristo de uma maneira radical, segundo o Evangelho, em pobreza, castidade e obediência, em comunidade de vida fraterna e apostólica.
Todos os cristãos são chamados a viver esta chamada de imitar a Cristo, mas só o religioso a vive com radicalidade, não de uma maneira apenas afectiva, mas de uma maneira efectiva.
A vida religiosa é e se define como: SEGUIR A CRISTO, e segui-Lo nestes aspectos:
a) CHAMADOS POR ELE = VOCAÇÃO
Recordando que a iniciativa é dele, não há mérito próprio, tudo supõe uma gratuitidade infinita, absoluta, que depende directamente da Sua Vontade.
Assim o afirma:
Mc 3,13 " subiu ao monte e chamou aos que quis para que estivessem com Ele"
Jo 15,16 " Não me elegestes vós a mim, mas eu é que vos elegi.".
A chamada de Deus é para todos os homens e é uma chamada à salvação, à santidade. Uma chamada universal, mas a chamada à vida religiosa é pessoal...
Uma chamada que toca no coração do homem e pede dele uma resposta.
A vocação é por natureza um DOM antes de ser uma exigência a viver. É gratuitidade do amor infinito da parte de Deus que nos chama a viver só para Ele. Amor definitivo. Dom pessoal que implica vive-lo em comunidade.
Para Deus chamar é DAR. Ele cria em nós a capacidade de responder à sua chamada. A vocação é o principio de outros dons, é um dom dinâmico. Cresce, exige crescimento à fidelidade.
NÃO SOMOS NÓS QUE OPTAMOS POR CRISTO, É ELE QUE OPTA POR NÓS
Para poder responder é preciso recordar que Jesus é fiel e que nunca se arrepende dos seus dons, nem sequer quando lhe somos infiéis. 2 Tm 2,13 " se somos infiéis, Deus permanece fiel, não se pode negar a si mesmo."
b) SEGUIR A CRISTO É VIVER COM ELE, VIVENDO AO MESMO TEMPO COM OUTROS SEGUIDORES SEUS = COMUNHÃO
Conviver = comunhão. O mais nuclear de seguir a Cristo é a vida comunitária. Seguir a Cristo É VIVER COM CRISTO, isto já é vida comunitária, "para que estivessem com Ele" (Mc 3, 14).
Comunidade é comum unidade de cada um e de todos com Cristo e em Cristo. Cristo é bem comum de todos e de cada um. Cristo nunca separa, une sempre. O chamado a segui-Lo, como mostra Mt 9,9, é chamado a segui-Lo pessoalmente, mas ao responder entra a viver com outros chamados, que se convertem em nossos irmãos. Assim se define que:
VIVIR EM AMIZADE COM CRISTO É VIVER EM AMIZADE COM ELES
c) SEGUI-LO É COMPARTIR A SUA MISSÃO
MC 3,14 " e chamou-os para estarem com Ele e para enviá-los a pregar.".
Compartir com Cristo a sua vida é compartir a sua missão, que consiste em fazer real o Reino dos Céus aqui e agora; anunciá-lo. PROCLAMAR O AMOR DE DEUS AOS HOMENS.
O RELIGIOSO EVANGELIZA NÃO SÓ COM O FAZER, MAS COM O SEU SER = COM SER CONSAGRADO
d) SEGUIR A CRISTO É VIVER COMO ELE = POBRE, VIRGEM E OBEDIENTE
Cristo viveu pobre, virgem e obediente, de igual maneira devemos de adoptar as suas atitudes interiores. Deixar-se invadir pelo Seu Espírito, assimilar a sua maneira de pensar e a sua escala de valores, identificar-se com os seus sentimentos.
Cristo é o CONSAGRADO que vive esta consagração:
- Em amor total e imediato, divino e humano ao Pai e aos homens = VIRGINDADE, renunciando a todo o egoísmo.
- Em atitude de total e gozosa docilidade à vontade do Pai, manifestada através de múltiples mediações humanas (superiores) = OBEDIÊNCIA até à morte, e morte de Cruz.
- Em disponibilidade total de todo o ser e de tudo o que se tem para os demais = POBREZA, vivendo decididamente para os outros, dando tudo e dando-se sem reservas. Como Cristo se dá totalmente a Deus Pai e aos homens, o religioso igual.
e) SEGUIR A CRISTO É SER PERPETUO DISCÍPULO = DOCILIDADE
Esta é uma atitude indispensável e permanente.
Implica: deixar-se ensinar e querer aprender.
Na vida religiosa Cristo ensina-nos através das mediações humanas. É necessário sentir-nos sempre PERPETUOS DISCIPULOS e reconhecer sempre a nossa necessidade de receber formação.
f) SEGUI-LO É ESTAR DISPOSTO A TUDO POR ELE = DISPONIBILIDADE TOTAL
A melhor definição de FÉ e AMOR = DISPONIBILIDADE TOTAL.
Esta deve ser um exercício constante e permanente, uma atitude interior e exterior.
Implica estar dispostos a perder tudo por Ele , " considero a tudo lixo com tal de ganhar a Cristo" dirá o apóstolo. (Flp 3,8)
g) SEGUI-LO É FIAR-SE DE ELE SEM OUTRA QUALQUER GARANTIA QUE ELE MESMO = FÉ
Crer em Ele com FE total - Jo 20,29 " bem aventurados o que não viram e creram. "; Apoiar-se exclusivamente n'Ele, fiar-se de Ele sem possível vacilação. Crer no seu amor, no seu poder, mesmo quando tudo pareça irremediavelmente perdido.
A VIDA RELIGIOSA É UM ACTO PERMANENTE DE FÉ TOTAL EM JESUS
h) SEGUI-LO É RENUNCIAR A TODA SEGURANÇA FORA DE ELE = CONFIANÇA
Cristo deve ser a nossa suprema e única segurança. Renunciamos a tudo o que nos leve a buscar segurança ou proveito próprio, para empregar-lo em favor dos demais.
i) SEGUI-LO IMPLICA UMA DECISÃO PESSOAL QUE COMPROMETE TODA A VIDA
A chamada de Deus nos faz responsáveis, nos faz capazes de responder e nos exige uma resposta. Uma resposta comprometida, que parta da liberdade e do amor.
Respondendo confiados na FIDELIDADE DE DEUS.
J) SEGUI-LO É IMITÁ-LO
Configurar-nos com Cristo pouco a pouco, nas suas três dimensões (VOTOS). Assimilar-se a Ele até ao ponto de ganhar a sua vida...
"CRISTIFICAR-NOS"
k) SEGUIR A CRISTO CRUCIFICADO
São Paulo da Cruz “com clara visão dos males do seu tempo, proclamou com insistência a Paixão de Cristo – “a maior e mais maravilhosa obra do amor divino” – como seu remédio mais eficaz.” (const. 1)
A Igreja aprovou, com a sua autoridade suprema, a nossa Congregação e as suas Regras com a missão de anunciar o Evangelho da Paixão com a vida e o apostolado. (const. 2)
“meditamos, com frequência, Cristo Crucificado, para melhor nos configurarmos à Sua morte e ressurreição e para estarmos prontos a anunciar aos outros aquilo que nós próprios experimentamos.” (const. 50)
“Nós, Passionistas, fazemos do Mistério Pascal o centro da nossa vida. Dedicamo-nos com amor ao seguimento de Cristo Crucificado e dispomo-nos a anunciar, com espírito de fé e caridade, a Sua Paixão e Morte, não apenas como um facto histórico do passado, mas também como realidade presente na vida dos homens, que são os “crucificados de hoje” pela injustiça, pela ausência do sentido profundo da existência humana, pela fome de paz, de verdade e de vida. A nossa vocação obriga-nos, desta forma, a ser especialistas no conhecimento da Paixão de Cristo e dos homens, o que constitui o único mistério de salvação, que é a Paixão de Cristo Místico. Desta forma, podemos levar os fiéis a meditar e sentir profundamente este mistério, e conduzi-los a uma união mais íntima com Deus, a um maior conhecimento de si mesmos e a uma maior sensibilidade para com as necessidades dos seus contemporâneos.” (const. 65)
O carisma determina a missão, a índole do ser e propósitos passionistas.
O carisma é um dom do Espírito Santo à sua Igreja.
O carisma tem uma espiritualidade que o fortalece e alimenta.
O carisma dá unidade.
Em pobreza, solidão, oração e penitência, vivemos em espírito Passionista.
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