Como rezar?

Jesus rezava… e eu?

1. O que é a oração? O que fazem os monges todo o dia no convento? Para quê rezar?

Partilha de ideias

(rezamos porque queremos falar com Deus. Somos crentes e acreditamos que Deus é importante, é um amigo, um apoio… portanto é normal falar com Ele. Para partilhar uma alegria, uma tristeza, uma preocupação... tal e qual como quando estamos com os amigos.

Entre amigos há um que fala e outro que escuta e depois responde. Também Deus responde. Na Bíblia é Deus quem nos fala. Por isso se diz “palavra do Senhor” no final das leituras. Costumamos abrir a Bíblia algumas vezes para ler alguma coisita? Deus também responde por outros amigos e sinais. Nunca te aconteceu chegar alguém de repente para te acompanhar num momento menos feliz? Pela oração descobrimos a presença de Deus no nosso dia a dia).

Sobre os monges: precisamos de pessoas que orem, que façam silêncio, que escutem, que estejam junto de Deus a pedir por nós e a mostrar-nos que é possível estar com Ele. Precisamos de palavras que venham do silêncio. Palavras que deixam marca em nós.

Porque é que Deus não responde: Deus responde mas não da nossa maneira. Ele serve-se da oração para transformar o nosso coração e torná-lo cada vez mais parecido com o de Jesus. Devemos ser fiéis à oração para descobrir essa presença de Deus na nossa vida, mesmo ao nosso lado.

 

2. A oração é como lavar a loiça. É sempre a mesma loiça, mas temos de a lavar, de a purificar. Nunca é igual. Por isso estamos sempre a aprender. Por isso custa rezar! É uma grande aventura. Uma aventura perigosa.

Quem se mete na oração nunca sabe como vai acabar! A oração é para nos levar até Deus, procurar a Verdade, encontrar um rumo para a nossa vida. A oração feita regularmente não permite que adormeçamos. Não permite que percamos o sentido da vida.

A oração é uma aventura perigosa. Por isso é bom termos um amigo a quem desabafar o que nos passa na oração. Na oração sentimos que não estamos a ser boas pessoas e somos desafiados por Deus a mudar de vida… e isso custa! Quantas vezes na oração Deus diz para esvaziar a mochila? Sim, isso custa bastante! Mas é necessário para o caminho!

 

3. A oração não nos deixa sair do caminho da vida. Eu rezo hoje, tal e qual como sou. Com os defeitos e com as virtudes. Com as pessoas que hoje estão à minha volta. Nesta terra. Com este tempo. Nesta hora. Eu rezo hoje, no presente! Este é o momento ideal para rezar! Estamos neste mundo e desejamos conhecer mais e melhor Deus e a nós mesmos! A oração é o segredo para isso! Só sabe quem experimenta.

“Ah e tal não me apetece rezar… dá-me sono… cansa-me… não tenho respostas… tenho de estudar…” eu digo-vos: quanto mais se reza mais se deseja rezar, tal é a presença de Deus!

 

4. Sim, pode custar rezar. E nós devemos rezar até vir a vontade para rezar! Custa e demora tempo! Acreditem! É uma aventura, como dizia! Mas vale a pena!

Para rezar devemos olhar para a nossa vida e ver o que podemos tirar da mochila. Tantas coisas que nos prendem e não nos deixam rezar…

Devemos entrar na oração no patamar onde estou. Caminhar à minha velocidade! É bom saber que há pessoas que conseguem rezar onde quer que estejam e quase que vêm Deus face a face. Eu devo levar o meu tempo até esse momento. Sem pressas. Mas devo atirar-me para a aventura. Uns vão mais à frente e outros mais atrás no caminho. Cada qual ao seu ritmo. Não importa! Levo o tempo que precisar até me encontrar com Jesus.

 

5. Há umas doenças que não permitem que rezemos. Umas doenças que bloqueiam o nosso caminhar na aventura da oração.

Anorexia: a pessoa não gosta do corpo que tem e faz loucuras para o conseguir, às vezes vendo-se mal ao espelho. Nós na oração também gostaríamos de ser diferentes, rezar de outra forma. Mas nós só temos este corpo para rezar e é nele que devemos rezar, sem fingimentos, sem máscaras.

Problemas de coluna: estamos corcundas e só vemos o nosso espaço. Só nos vemos a nós mesmos. Na oração só penso em mim e nas minhas coisas. Eu e só eu! Levanta-te! Olha para a frente! Na história que o João contou a família mudou porque todos se ergueram! Deixaram de pensar neles e começaram a olhar para os outros: para a sogra, para a mãe, para o filho que andava na droga, etc.

Cataratas: estamos a ficar cegos, vemos mal… devemos pedir luz ao Pai de vez em quando para ver melhor. Temos de ver com os óculos dos outros, para ver melhor.

Alzheimer: perdemos a memória do nosso primeiro amor…

Outros problemas: queremos fazer muita coisa, sempre mais e esquecemos a necessidade da oração (activismo); protagonismo: rezamos para que os outros nos vejam; palavreado: rezamos com o que outros escreveram e não somos originais. Não rezamos com a vida.

Como se podem curar estas doenças?

- Sinceridade: dizer a verdade a Deus, sem máscaras.

- Silêncio: o silêncio incomoda e queremos ter sempre uma música ou um telemóvel. Dá-nos segurança! Mas Jesus procurou o silêncio… É necessário para escutar melhor.

- Escuta: temos tempo para escutar? Às vezes as nossas conversas são discussões, falam todos ao mesmo tempo. A oração convida-nos à escuta…

- Reconciliação: a oração faz-nos ver por dentro e encontramo-nos com Jesus que é o nosso modelo e vemo-nos como num espelho e vemos o que podemos e devemos mudar para ser mais como Ele.

 

Devemos rezar com a vida. A cegonha faz o ninho com todo o lixo e junta-o. Ela tem a sabedoria para usar correctamente todos os materiais. Aproveita-o bem. Nós devemos aprender com todos os momentos.

 

Devemos perder para poder procurar e encontrar. Devemos perdermo-nos para nos encontrarmos na oração. Deixar Deus guiar a nossa oração. Não rezar o que eu quero mas o que Deus quer.

 

Ser como crianças. Pequenos. Confiar plenamente no coração. Sentir a vida.

 

A oração leva-nos ao outro. Na oração devemos procurar Deus. E assim estaremos com o outro.

 

Não procures longe o que está perto.

 

Respirar a vida.

 

Jesus rezava: Mc 1,35 (de manhã); Lc 6,12 (à noite); Lc 10,21 (alegrias); Lc 22,41 (tristezas); Lc 23,34 (pedindo).

 

 

(feito para o retiro Deixa Deus Entrar)