16 perguntas
16 Perguntas
16 perguntas sobre vocações
. . . e respostas honestas sobre padres, irmãs, irmãos, votos, sexo, vida comunitária e mais.
1. O que fazem os padres, irmãs e frades todo o dia?
Tal como a maioria dos adultos, passamos uma parte do dia a trabalhar. Chamamos ao nosso trabalho ministério porque o modelo e a motivação para o que fazemos é Jesus, que nos pede para seguirmos o seu exemplo no serviço ao Povo de Deus.
Mas há mais! Para vivermos com saúde, de forma estável, tentamos misturar oração, com trabalho e momentos de lazer. Estes três aspectos ajudam a que estejamos bem dispostos para um bom serviço à Igreja e a Deus.
Na área do trabalho ou ministério, muitos padres, frades e freiras têm um trabalho principal, como professores, trabalho social, ajuda nos hospitais, etc. O nosso horário diário pode ser diferente de um dia normal de um adulto normal. É normal termos reuniões à noite e os que são padres trabalham ao sábado e domingo, fazendo um dia de descanso a meio da semana.
O imprevisível de cada dia enche de riquezas a nossa vida. Irmos em busca das necessidades do povo, tanto em escolas como em familias, doentes, idosos, esfomeados, irritados, presos, sem tecto... Emprestamos as nossas vidas a todos e revelamos Cristo ao mundo.
Aqueles que de nós são membros de comunidades contemplativas (comunidades dedicadas à oração) preenchemos os nossos dias com uma combinação de trabalho, oração e recreação. A diferença é que dedicamos mais horas diárias à oração que os outros religiosos ou padres. Às vezes também produzimos a nossa própria alimentação e algumas coisinhas para vender (como hóstias, mel, vinho, doces, queijo, etc. As nossas orações são a Missa, oração em silêncio, leitura, rezo de salmos (uma prática já milenar de cantar os salmos a diferentes horas do dia).
2. A oração é importante na vossa vida?
Porque escolhemos uma vida da qual afirmamos que Deus é o centro, a oração é o momento mais importante do dia. Vê isso como relação com Deus, como um diálogo entre amigos. A nossa relação com Deus aumenta conforme a oração. Tal como uma boa amizade.
Como a oração é importante, muitos padres, frades e freiras passam cerca de duas horas por dia a rezar. Parte desse tempo na Missa, com outros cristãos. Também rezamos orações formais como a Liturgia das Horas ou o rosário, ou passamos algum tempo em leitura e reflexão da Biblia. Outra parte do tempo é passada a sós, em oração privada. Um dos efeitos positivos da oração é chegarmos a ver as nossas acções com os olhos de Deus, tudo orientado para Ele.
3. É a oração sempre simples para vocês?
Não! Nem sempre! Mesmo os que vivem em comunidades contemplativas têm momentos em que sentem "estou a perder o tempo e a vida". À medida que crescemos apercebemo-nos que a oração não é nada fácil! Claro que as coisas podem ser simplificadas com o apoio da comunidade ou do director espiritual (uma espécie de treinador) que nos ajudarão a manter firmes nos momentos mais duros.
4. Qual a diferença entre um padre diocesano e um padre religioso?
Um padre diocesano serve a Igreja dentro de um limite geográfico, chamado diocese. Normalmente, nessa diocese, numa zona mais pequena, chamada paróquia. Pode também ser professor, capelão, etc.
Um padre religioso pertence a um instituto religioso onde os irmãos têm o mundo como única fronteira. Um sacerdote religioso vive pobremente, numa vida casta, com voto de obediência e em comunidade. A comunidade partilha uma visão comum e uma espiritualidade própria, o carisma.
5. Qual a diferença entre irmão e padre?
Um irmão é um leigo que se entregou a Deus pelos votos de pobreza, castidade e obediência. Normalmente vive numa comunidade religiosa e trabalha em algo relacionado com os seus talentos. Um irmão pode ser professor, electricista, cozinheiro, agricultor, técnico, ajudante de paróquia... Tenta viver a sua vida como irmão para os outros.rs.
Um padre é alguém ordenado para administrar sacramentos. Celebra a Eucaristia, matrimónios, baptizados, confissões.
6. Que diferenças há entre as várias ordens religiosas?
Cada ordem religiosa ou congregaçao tem um carisma - um dom dado pelo Espírito Santo para um serviço específico na Igreja - que ajuda os membros da congregação a olhar para um mesmo objectivo. Essa missão pode ser rezar a maior parte do dia ou pode ser mais activa, ajudando os irmãos no mundo.
Muitas congregações têm trabalhos semelhantes, isto porque foram fundadas em tempos em que não haviam as comunicações de hoje. Então os objectivos de trabalho eram os mesmos, mas estavam separadas por grandes distâncias e não se conheciam. Isso justifica algumas semelhanças entre alguns institutos religiosos.
Hoje, século XXI, continuam a surgir novas comunidades em resposta ao chamamento de Deus, para novas formas de espiritualidade, comunidade e missão.
7. Quanto tempo demora para se tornar padre diocesano?
Geralmente são seis anos. Concluído o ensino secundários o homem está apto para entrar no seminário onde terá cinco anos de estudos superiores de filosofia e teologia, mais um ano de estágio. Esta é a regra geral em Portugal.
8. Como entrar numa comunidade religiosa?
O processo para entrar numa comunidade religiosa demora algum tempo e é necessário passar por várias etapas. Varia de instituto para instituto, mas o básico é isto:
Contacto: A pessoa interessada na vida religiosa (jovem ou menos jovem) que busca a resposta à pergunta "O que quer Deus de mim?" entra em contacto com a congregação e terá encontros esporádicos com um religioso para conhecer um pouco melhor o estilo de vida, o carisma, as ideias, o ambiente... em certos institutos há um seminário menor com as portas abertas aos mais jovens. Também é normal haverem encontros mensais de jovens em busca da vocação.
Postulantado: Neste período, o candidato observa e participa na vida religiosa desde dentro. Viverá numa comunidade, enquanto continua o seu estudo fora ou trabalho. Este período (normalmente 1 ou 2 anos) possibilita um conhecimento mais próximo da realidade da vida religiosa. Além disso a comunidade ajuda o jovem a discernir a sua vocação e pode observar se há verdadeiro interesse por parte do candidato.
Noviciado: O noviciado é a verdadeira porta de entrada e tem a duração de, pelo menos, 1 ano inteiro (até dois anos).
Os noviços passam o seu tempo em estudo e oração para se conhecerem melhor, para conhecerem o instituto e aprofundarem a sua relação com Jesus. Neste período de tempo preparam-se para os votos temporários.
Votos: Promessa de viver em pobreza, castidade e obediência por alguns anos, dependendo da decisão do individuo. Estes votos são renováveis até nove anos. Mas, após os primeiros três anos, a pessoa pode decidir viver assim para toda a vida.
Durante o período de votos temporários, a pessoa continua a estudar (por exemplo teologia) para se tornar melhor pessoa e identificar-se mais com Jesus Cristo.
9. Que votos fazem um padre, um irmão e uma irmã?
Os irmãos leigos, irmãs e sacerdotes em ordens religiosas fazem três votos, às vezes quatro (conforme o instituto). Os três principais são:
Pobreza — deixamos os nossos bens em comum, numa vida simples e dependentes de Deus.
Castidade — escolhemos amar e servir a Deus e a todo o Povo de Deus, do que amar exclusivamente uma só pessoa no matrimónio. Oferecemos a nossa castidade como prova do amor de Deus a todos.
Obediência — vivemos em comunidade e tentamos ouvir e seguir a vontade de Deus, partilhando na comunidade desejos, a vida, trabalhos, vitórias, problemas e sonhos.
10. Que votos faz um padre diocesano?
Os padres diocesanos fazem promessa de celibato (não casar) e de obediência ao seu bispo local. Não fazem voto de pobreza, mas tentarão levar uma vida simples, para poderem estar sempre disponíveis ao povo de Deus.
11. Podem os padres, irmãos e irmãs namorar?
Não, não podem porque o voto de castidade impede qualquer tipo de relação, e também o casamento. Mas, nós gostamos de ter amigos de outro sexo. Só assim enriquecemos e partilhamos a vida. E todos sabemos a importância de ter amigos. Nós, religiosos, gostamos de fazer amizade com as pessoas que nunca têm amigos, que não os descobrem.
12. Alguma vez estiveste atraído por outra pessoa num sentido romântico?
Claro! Nós somos humanos e sentimos como uma pessoa normal! Mas canalizamos esses bons sentimentos para outros locais. Nós tentamos ser fiéis ao voto de castidade pela oração, boas amizades, pelo silêncio, reflexão e com o apoio de Maria.
13. E se te apaixonares?
Acontece! Nessas ocasiões temos de recordar os nossos objectivo iniciais, as nossas boas intenções ao aceitar a vida religiosa. Tentamos levar a nossa vida com o próximo dentro dos limites das responsabilidades dos votos religiosos.
Obviamente, apaixonar-se pode ser dificil para uma irmã, um padre ou um irmão. Mas essa é a aventura da vocação e lá venceremos! Também sabemos que não é fácil levar uma vida fiel no matrimónio. Mas há que lutar! E vencer.
14. Tens de ser virgem para ser frade, freira ou padre?
Esta é uma questão comum vinda dos jovens! A vida sexual passada não são impeditivo para entrar na vida consagrada. O passado não é importante! Se assim fosse, não teriamos hoje sacerdotes viuvos! A questão é se neste momento da minha vida estou disposto a uma vida futura em castidade, sem mulher ou sem homem. Recorda-te da vida de Francisco de Assis antes de fundar os franciscanos...
15. Posso ser padre, irmã ou irmão se tiver dividas pessoais?
As ordens religiosas exigem que dividas e outros aspectos pessoais sejam resolvidos antes de entrar na vida religiosa. Lembra-te que ao entrar na comunidade tudo o que tens será de todos e não era simpático entra com dividas para os irmãos. A vida terá de ser simples.
16. Porque alguns usam roupa religiosa e outro não?
Os que vestem o hábito religioso ou o colarinho branco fazem-no por várias razões. Uma é que a roupa religiosa é um sinal que é imediatamente reconhecido como símbolo de fé em Deus e uma responsabilidade especial no Cristianismo.
Outra frequente razão é que o hábito religioso ajuda a viver em pobreza. Um frade ou uma freira com hábito terá menos necessidade de comprar roupa ou de andar na moda...
Algumas comunidades optam por vestir roupas "normais", preferindo fazer do seu estilo de vida um sinal ao mundo, em vez da roupa que usam. Sáo opções pessoais. Também dizem que o hábito pode ser uma barreira entre eles e as outras pessoas. Alguns dizem que o religioso sempre se vestiu como as pessoas "normais" do povo... antigamente os pobres usavam uma espécie de hábito; agora não.
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