Adoração a Maria
Hoje, 31 de Maio, termina o chamado mês de Maria.
Devo confessar que fiquei chocado ao ver algumas pessoas a genuflectir a uma estátua da Mãe de Jesus. Veneração ou adoração? Exactamente não sei o que era. E tenho bastante medo em pensar.
Aproveito isto para escrever um pouco sobre a questão de imagens/estátuas. Tema um pouco controverso há vários séculos, entre as várias confissões cristãs.
Nós, católicos, rezamos às estátuas?
Bem, quem o faz está a falhar gravemente. É errado rezar a imagens, como se tivessem vida e pudessem ouvir. Basta ler o Êxodo 20,4-5... não o transcrevo. Que tal ir mesmo à Bíblia?
É interessante reparar que Deus pede ao Povo que faça algumas imagens para o culto...
Sugiro leitura do Êxodo 25,10-22. E Números 21,6-9. E Juizes 17,1-6. E 1 Reis 6,23; 7,13-51.
Está Deus a contradizer-se?
Deus pediu para se construirem estas estátuas e imagens. Mas não para serem adoradas.
Servem estas imagens para recordar o Divino às pessoas e abrirem as mentes e o coração para Deus.
Uma imagem não é um ídolo. É diferente.
Uma imagem é vista e pode ajudar na devoção a Deus. Um ídolo substitui Deus. Lembras-te do bezerro de ouro? Lê Exodo 32,7-8.
Quando estamos a rezar e a olhar para uma imagem, usamos também o sentido da visão. Isso pode ajudar. E costuma. Orienta-nos para o Mistério.
Temos fotografias de familiares, não? Nós não os adoramos, no sentido divino. Mas gostamos de olhar. Recordar alguém que até já não está entre nós. Um doente. Um familiar longe de nós. De certa maneira, fazemo-los presentes. Não são a pessoa real. Mas levam-me a pensar nela...
Aliás, nos tempos em que a cultura era muito baixa, as pessoas faziam-se místicas com a contemplação de imagens. As coisas orientavam para o Alto.
Nós, católicos, podemos rezar frente a uma estátua. Mas nunca na vida podemos rezar à estátua. Isso é idolatria. Cuidadinho...
Para terminar, pego em S. João Damasceno (nasceu pelo ano 650). Ele sustentava que uma imagem não contém a realidade: uma simples cópia, semelhante ao original, mas distinta. A atitude do homem diante destes objectos não termina neles, mas alarga-se à pessoa que eles evocam. A imagem é uma ponte para a Realidade.
E foi esta meditação que quis deixar. Até breve.